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Lobista diz que Ministro do TCU, Vital do Rêgo, avalizava acordos de propina da Lava Jato

Em delação premiada, o lobista Julio Camargo, um dos delatores da Operação Lava Jato, disse ao Ministério Público Federal que o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, também participou de reunião com ex-senador Gim Argello (PTB-DF) para tratar da ‘arrecadação de contribuições’, em 2014. Segundo Camargo, Vital do Rêgo, então senador, era ‘selo de garantia’ no esquema de corrupção.

O delator explicou que foram três encontros para discutir o esquema de propina e que Vital do Rêgo só teria participado do último. Segundo Camargo, o ministro paraibano teria chegado à terceira reunião, quase no final para, na opinião do delator, avalizar o processo. “Vital do Rêgo ficou apenas em torno de 10 minutos na reunião, dizendo que tinha muita coisa para fazer e Gim Argello pediu para ele comparecer”, informou ele.

O ministro do TCU, Vital do Rêgo foi senador pela Paraíba entre 2011 e 2014 - ano em que Dilma Rousseff o nomeou ministro do TCU, no dia 22 de dezembro. 

Gim Argello foi preso na Operação Vitória de Pirro, 28ª fase da Lava Jato, em 12 de abril. O ex-senador é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução à investigação porque, segundo a Procuradoria da República, ‘solicitou e recebeu pagamentos indevidos para interferir nos trabalhos de CPIs no ano de 2014′.

Julio Camargo disse ao Ministério Público Federal que explicou a Gim Argello que o tamanho da empresa não permitiria pagar o valor de R$ 5 milhões. Segundo ele, o limite de contribuição oficial da empresa era baixo devido ao faturamento; que Gim Argello pediu então pagamento ‘por fora'; que o depoente não quis negar de imediato o pedido, com a estratégia, tendo afirmado que pagaria os R$ 2 milhões; que Léo Pinheiro estava nessa terceira reunião; que então Gim Argello disse que Léo Pinheiro e o depoente contribuiriam para sua campanha e outras empresas para a campanha de Vital do Rêgo.

A assessoria do ministro Vital do Rêgo informou que o paraibano já se manifestou sobre o assunto, e não voltará a se manifestar até que tenha acesso aos respectivos depoimentos.

No dia 11 de maio, Vital do Rêgo se pronunciou desta forma:

Recebi com indignação e espanto a notícia de que fragmentos de documentos sigilosos estão sendo pinçados de uma delação premiada, de forma criminosa, e divulgados à imprensa com a deliberada intenção de atingir minha reputação e minha honra

Quem conhece minha trajetória de vida sabe que sempre pautei as atividades públicas com estrita e rigorosa observância dos preceitos legais.

Não por acaso, durante o período em que exerci a política partidária, meu mandato sempre foi veículo de pleitos do Ministério Público, da Polícia Federal e do Poder Judiciário, cujas vozes sempre reverberei nos plenários do Congresso Nacional.

Apenas para citar um de inúmeros exemplos, combati ao lado dos valorosos membros do Ministério Público a famigerada PEC-37, que cerceava poderes de investigação indispensáveis ao trabalho desembaraçado do Parquet.

Jamais pratiquei qualquer ato que, de longe, pudesse se ultrapassar as fronteiras da ética, muito menos posso admitir qualquer ilação, por genérica ou remota que seja, de que possa ter praticado alguma ilicitude.

Não tive acesso à íntegra da delação premiada do Sr. Otávio Azevedo, contudo os fragmentos levianamente divulgados à imprensa, longe de indicarem qualquer conduta ilícita de minha parte, revelam uma clara distorção do que supostamente foi declarado pelo delator, a fim de atingir o bom nome que construí ao longo dos mais de 30 anos de uma vida pública irrepreensível e de incansável defesa do interesse público.

Sempre dirigi os trabalhos da Comissão buscando fazer valer a vontade da maioria de seus membros, inclusive abrindo mão da prerrogativa que me cabia, como Presidente, para convocação dos depoentes, a qual foi democratizada com o Colégio de Líderes dos partidos políticos.

Uma simples leitura das atas de reuniões da CPMI comprova a veracidade destas informações, demonstrando que as convocações eram previamente definidas pelo Colégio de Líderes, e só então submetidas pela presidência à deliberação do plenário; fato que por si só repele qualquer possibilidade de manipulação da agenda da Comissão.

Dessa forma, atribuem-se ilações caluniosas ao meu nome, baseadas em supostos poderes que eu sequer detinha.

Afirmo também que, como Senador e por dever de ofício, sempre mantive contatos com as mais diversas partes, sem jamais mencionar quaisquer tipos de vantagens pessoais. Em relação ao encontro referido, o próprio delator confirma minha assertiva.

Por fim, declaro que não recebi recursos da referida empresa na campanha eleitoral no ano de 2014, assim como meu irmão, Deputado Veneziano Vital do Rêgo, conforme prestações de contas devidamente aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba.


Ministro Vital do Rêgo



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